18/09/2012

A dor que dói mais.

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, doem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.


Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Doem essas saudades todas. 


Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.


Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.

Martha Medeiros

6 comentários:

  1. É concordo com algumas coisas que você disse! Pena que, com tudo isso, a saudade é algo inexplicável, só se sabe sentir e, nada mais :)

    PHANNY TEEN

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    1. Exatamente isso, a Martha Medeiros disse
      tudo nesse texto. Me identifiquei bastante
      com ele. Beijos.

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  2. O que eu mais tenho saudade é da minha infância, ê tempinho bom que não volta mais.♥

    PiinkCookie.blogspot.com

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    1. Verdade, tenho um texto pronto sobre ela. Daqui um tempi-
      nho eu irei postar ><

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  3. Oi amiga, acho que quando são saudades de coisas boas nos fazem recordar, ruim é quando a saudade são de pessoas que hoje estão longe e que amamos, saudade de pessoas que se foram e não voltam mais. é por isso que temos que dar valor a cada segundo e cuidar como a ultima vez das pessoas que amamos! Já senti saudades da forma mais triste e doi muiiito. beijos grandes amiga.


    ( ᐵ ᗜ ᑈ)ᘉ Endereço>> Dany's Place
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    1. Eu também já, e doeu muito também! Uma dor que infelizmente vou ter que levar para o resto da vida! Beijos fofa ><

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