27/10/2013

Alguns problemas são maiores que outros


Era a quinta vez que eu saíra de casa sem avisar. Quinta e última, pelo visto. Mas era a primeira vez que meus pais realmente ficaram bravos e desconfiaram de algo, aliás, eles tinham motivo. Porém, ao me sentar no sofá e perceber a cara tão desesperada da minha mãe, e a tão severa do meu pai, resolvi abrir o jogo logo. Não conseguiria sair mais uma vez de casa se não abrisse o jogo. Eu tinha apenas duas opções: ou contava tudo para eles ou nunca mais enviaria cartas para a tal pessoa.

- Sabe mãe... - falei, depois de uns trinta segundos de silêncio. - Eu queria poder ter me abrido antes com vocês, mas desconfiava de suas reações e, ao mesmo tempo, gostaria que isso jamais tivesse acontecido.

Mais alguns segundos de silêncio, até que meu pai resolveu abrir a boca e falar a maior, e talvez a pior, baboseira de todos os tempos:

- Filha! - meu pai gritou, com o maior tom de sarcasmo possível. - Você pode contar que está em um relacionamento de distância, e eu sei o quão isso pode machucar o seu lado sentimental, afinal, eu e sua mãe ficamos juntos nos vendo apenas uma vez a cada 6 meses durante 3 anos. Não que isso vá acontecer com você, mas vai... pode se abrir com a gente. Como se fosse apenas um "amigo seu" que fosse lhe causar tanto distúrbio e...

- Pai! - berrei, bem alto, só que com raiva, muita raiva. - Vocês não acreditam em mim? Poxa, é só um amigo! Caramba, tudo nessa casa é sinal de desconfiança.

Só que o pior de tudo, era que meu pai estava certo. E embora negasse isso, minha mãe sabia a verdade, isso estava na cara dela. Eles poderiam até saber desse meu caso secreto, e até podiam saber que eu estava realmente tendo um relacionamento, pois depois da nossa breve conversa eles começaram, de certa forma, a serem mais liberais. Não tão liberais a ponto de me deixarem viajar com meus amigos, mas realmente estavam se esforçando.

Mas o problema é que eu não estava me comunicando com cartas, e sim com encontros casualmente formados a duas quadras da minha casa e que duravam cerca de trinta minutos. Eu estava em um relacionamento complicado e tinha consciência disso, só não sabia o problema enorme que isso poderia me causar.

8 comentários:

  1. Hmmm, eu fiquei com uma vontade de saber o resto dessa história *--* Vai contar pra gente ?
    Beijos
    barradosno-baile.blogspot.com ( tem post novo lá)
    @torresaamanda

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  2. Que lindo texto, também quero ler a continuação, amo ler textos assim <3
    blog-sempre-teen.blogspot.com

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  3. Amei o texto e você me deixou curiosa para saber a continuação, hahahaha. Beijos,

    http://umaprimavera.blogspot.com.br/

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  4. OS pais sempre tem razão... algumas vezes percebemos isso um pouco tarde, mas é a vida!!! Lindo texto! Seguindo conforme solicitou no grupo. Espero sua visita no meu!
    bjos
    http://www.meuespelhofosco.com

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  5. Adorei a história, uma situação cotidiana escrita de uma forma tão legal... Quero ler a continuação, o final me surpreendeu.
    Meu Filme virou Livro

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  6. Que legal! Adorei... E me identifiquei com texto acredita ? ! Antes sempre saia de casa sem avisar os meus pais, e eles ficavam desconfiado de mim e tal.. Beijos!

    http://destinoincertoo.blogspot.com.br/

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  7. Só um amigo, hum? Mas não, haha. As história foi bem desenvolvida e interessante, e deixou aquele gostinho de "quero mais". Quero saber mais sobre as cartas, os encontros de cerca de trinta minutos, o esforço dos pais em serem mais liberais...

    Beijos ♥ Jeito Único

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