06/01/2014

A natureza vai cuidar


Há um tempo atrás minha mãe disse ao meu pai que havia um passarinho morto na piscina. Entre o meio-dia e a uma hora ele foi lá para tirar o coitado. Obviamente, ele morreu afogado, mas teve uma coisa além disso do que ele falou que me deixou intrigada: o passarinho então, era um filhote, e pela descrição, era dos bem pequenos. Dias depois, meus pais descobriram que havia um ninho no quiosque - que fica perto da piscina - e que havia um filhotinho lá. O que ficou ainda mais claro foi que o irmão dele havia tentando voar e acabou caindo na água. 

O único problema do filhote estar no quiosque, era que, por mais que fosse em um local coberto, o bichinho ficava num calor intenso. Vinhamos pensando em uma solução desde então, mas esta deveria ser bem prática, porque a mãe do "baby" era rigorosa e aparecia no tal "ninho" de dez em dez minutos. E sempre trazia um inseto no bico.

No dia de Natal, como de costume, veio todo mundo se "banhar" na piscina aqui em casa, conversa vai conversa vem, ou melhor: canto vai canto vem, acabamos chegando no assunto dos passarinhos. Não deu outra, e o filhotinho saiu e pousou no chão. Se ele continuasse ali, não teria chance: ou iria acabar afogado como o irmão ou então um gato iria devorá-lo. A gente tinha que fazer alguma coisa, mas devolver ao lugar que ele estava não era alternativa porque (a) ele iria voar novamente e (b) o lugar realmente estava quente.

O tio dos meus primos (dos meus primos, irmão de uma das minhas tias) resolveu que tirá-lo dali seria a melhor solução. E seria! Peguei uma caixa de plástica, dessas de mercado, e colocamos o coitado dentro. Logo, descobrimos que não era um filhote só: eram TRÊS.

Ao momento que aquele voou ao chão, os "maninhos" dele vieram junto. Só que tinha um filhotinho, desses bem pequenos, cuja penugem ainda não está totalmente formada que, com a queda, quebrou uma patinha. Passaram tentativas e mais tentativas de lugares para colocarmos até que o colocamos em uma caixinha de papelão. Digo, caixa, porque era grande e não pequena. E esperamos: a mãe sempre vinha alimentar eles de tempo e tempo e cuidava dos bichinhos feito ouro. Aliás, não era de outra.


Só que dois dias depois, ou um, não lembro, os pássaros maiores já estavam quase que totalmente formados e conseguiram sair da caixa de papelão, que era alta. Restou só o filhote que estava com a perna quebrada, e, para pior a situação, a mãe já não o alimentava mais. Perguntei pro meu pai porque ela não vinha mais dar comida pro filho, e a resposta dele foi essa:

- Elas tem que alimentar os mais fortes e cuidar deles também. São eles que tem mais chances de viver.

E, depois de um tempo, sugeri que que nós mesmos o alimentasse. Ora, era só pegar uma colher, um inseto pequeno e o pássaro iria comer. Mas a gente tentou isso, e não deu certo. Aí perguntei novamente pro meu pai o que que iria acontecer com ele e que deveríamos insistir em lhe dar a comida. A resposta foi essa:

- Ele sabe que não somos a mãezinha deles, não vai adiantar nada; deixa que a natureza vai cuidar dele.

Me veio então, o famoso capítulo que o Justin narra no livro Extraordinário sobre o universo. Nele, ele fala que tudo funciona como uma loteria, que cada um tem seu bilhete e que, alguns, tem mais sorte no início. Mas que no fim, o universo cuida de todos os seus pássaros.

7 comentários:

  1. Que gracinha o texto <3 Fiquei com pena do passarinho abandonado, mas eu supero :(

    E falando no livro Extraordinário, tô com muita vontade de ler. Tu podia fazer uma resenha dele :)

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    1. Já tem resenha, flor! E leia sim, é um ótimo livro <3

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  2. Que lindo... A natureza é realmente extraordinária :)

    Super Beijos ♥
    www.blogestilofeminino.com

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  3. Poxa, você passou uma filosofia muito bonita no final! Não falo só pelos passarinhos (entendo perfeitamente toda a situação porque já aconteceu algo parecidíssimo no meu sítio... Sabe, do filhote ter caído do ninho, e este estar muito quente para que o colocássemos de volta nele... e a decisão de deixá-lo numa caixa mais fresquinha, até pelo menos o calor passar), mas pelos humanos também. Coisas ruins acontecem... E às vezes só nos sobra aprender a lidar com elas.

    Beijos ♥ Jeito Único

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  4. Amei, faz mais posts desses por aqui hehe`

    http://historiaimperfeita.blogspot.com.br/

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  5. Que fofo da sua parte, Naty!
    Deve ter sido uma barra para você ver o passarinho sofrendo, por mais que seja "só" um pássaro. Várias pessoas passam por isso em várias partes do mundo. Só que um pouquinho diferente. Sabe como? Através dos nossos parentes ou até pessoas só conhecidas, por exemplo. Por mais que não tenhamos sentido essa dor, a gente sempre conhece alguém que tá passando por isso, né? E é tão ruim, porque, acabamos sentindo a dor dela também. Bom, quero resumir que foi muito lindo da parte do seu pai (e da sua também, claro) tudo que fez e tentou fazer pelo bichinho. Ah, e que conclusão do livro encantadora! Espero que o universo esteja cuidando dele agora.

    Beijos ♡
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