05/04/2014

Blá-blá-blá


- Tem alguém aí?
- Oh, querida, claro que tem!
- Quem é?
- Vamos começar novamente? Prazer, essa sou eu, dentro de você, o que nos leva a conclusão que eu também sou você.
- Hã?
- Tão ingênua, coitada! Vai dizer, agora, que nunca viu aqueles filmes nos quais as pessoas se olham no espelho e a imagem reproduzida no mesmo começa a conversar. Vai dizer que nunca viu, não é?
- Não, eu vi sim... eu acho. Mas por que só agora você, ou eu, ou... não vem ao caso, veio se manifestar?
- Porque, querida, sua mente até que é esperta, mas você é tipo de pessoa que cumpre o legado "faça o que seu coração mandar", e este, por sua vez, é tão bobo que resolvi me "manifestar".

[...]

- Você ainda esta aí?
- Querida, enquanto você estiver aí, eu estarei aqui. Dã.
- O que você quer, afinal?
- Oras... o que eu sempre quero quando apareço nos tais filmes, que citei não faz muito tempo. Quero abrir os seus olhos e te acordar. Dã.
- Aah, claro. Por que, é claro, a errada sou eu, não sou? É eu isso, é eu aquilo e, mesmo quando não estou em determinado lugar, vai ser eu novamente. E não venha me dizer que estou sendo egoísta ou qualquer coisa do gênero, que eu só penso em mim mesma e que o o mundo gira ao me redor. Aliás, assim fosse! E, olha só, não sei o que você quer e tampouco sei quem você é.
- O seu consciente, querida. E não venha dar de difícil pra cima de mim... ah, não! Ou esqueceu que vivo, aqui, bem dentro de você, e que sei muito bem o que está sentindo?
- Meu consciente? Tem certeza? Porque eu juro que meu consciente, embora as vezes teimoso, jamais falaria comigo nesse tom de ironia. E outra coisa: isso tudo é o que você diz, não é?
- Blá-blá-blá... é, certamente, o que eu digo. Aliás, é pra ser. Agora, faz o seguinte: dorme, pense e re-pense. Chore, se preciso, mas não volte atrás. Oh, não, isso jamais.
- Agora vai querer dar uma de boazinha? Ah, me poupe! Isso já está ficando a beira da falsidade e...
- E? Você sabe quem eu sou, o porque estou aqui e ainda sabe muito bem que a errada da história não é nenhuma de nós, embora não admita.
- Que?
- Então, vai, chora. Só não faça o que seu coração estúpido mandar fazer. Uma vez que já se deu errado, não é necessário tomar outra dose.
- E você?
- Eu sofro as consequências, como sempre. Por isso vim te alertar: abra os olhos, porque, se ter outra atitude insana dessas outra vez, meu bem, eu sempre venho acompanhada de alguém. De dor, depressão, lágrimas e todas essas outras coisas emocionais que você conhece tão bem quanto eu.
- Mas...
- Já sei as suas perguntas e as respostas são sim, não, não, sim. E talvez, acho. Mas, com o aviso dado, e com a conversa já terminada, vou partindo. E espero, de coração, não ter de acordar novamente para lhe dar outra lição de moral. É isso. Só isso. E outra coisa: não se esqueça que eu também sofro as consequências e estas, meu bem, vão voltar para você.

5 comentários:

  1. Adorei esse dialogo, as vezes o nosso sub consciente tem que dar uma alertada ne´rsrs
    Beijinhos
    You Tube
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    Facebook do blog
    conversando-com-a-lua.blogspot.com.br

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  2. Adorei esse diálogo. Diálogos assim sempre me chamam muito a atenção. ^^ Às vezes nosso consciente precisa nos dar algumas alertadas.
    Beijos || Unlocked Land ❤

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  3. Demais! Minha consciência também vive conversando comigo. Ultimamente, ela vem me dizendo: "Para de ser egoísta, menina. Como dizia o filósofo, 'O inferno são os outros', mas sem os outros você não é ninguém. Porque é impossível existir sozinho". Pois é, minha consciência é estranha, mesmo. E, tal como a do texto, vem me azucrinar quando o coração apronta. Sorte que já há muito que meu coração não apronta. Louvados sejam os céus! Minha integridade agradece. Minha consciência também, hahah'

    Beijos ♥ Jeito Único

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  4. Adorei! Acredita que eu já tive umas "conversas dessas" com meu subconsciente? Hahahaha! E esse texto me lembrou o filme A Hospedeira que acontece a mesma coisa desse diálogo, é bem legal.

    Bitocas!
    www.likeparadise.com.br

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